Bom dia pessoal!
Hoje, voltamos mais uma vez à área da neurologia para falarmos sobre Mielomeningocele.
Então, sem mais demora, vamos começar:
Mielomeningocele
A Mielomeningocele é uma patologia congênita relativamente freqüente nos recém-nascidos. Seu quadro clínico abrange grande variabilidade de características físicas, como alterações de motricidade e sensibilidade, padrões posturais anormais, alterações vesicais e deformidades, estas podendo até mesmo serem incapacitantes.
Associada à mielomeningocele, é freqüente o aparecimento de hidrocefalia (patologia caracterizada pelo acúmulo de líquido cefalorraquidiano intracraniano, provaocando hipertensão intracraniana). É importante que as intervenções clínicas e da fisioterapia venha a agir precocemente, para evitar que maiores complicações possam vir a se instalar, dificultando ainda mais o desenvolvimento normal da criança, além das suas atividades de vida diária.
Espinha Bífida
Espinha bífida é quando ocorre fechamento incompleto do canal vertebral (arcos vertebrais posteriores, para ser exato). Essa patologia é resultado de defeito no fechamento do tubo neural, principalmente do neuroporo caudal, durante a quarta semana do período de gestação.
-Espinha bífida oculta: Ocorre sem manifestações externas (sem distúrbios neurológicos).
-Espinha bífida aberta: Classificada em Meningocele e Mielomeningocele
A Meningocele é formada por um cisto, preenchido por líquor, mas que geralmente não acarreta lesões nerológicas. A mielomeningocele também é formada por um cisto, porém repleto de líquor, tecido nervoso medular e tecido glial, resultando em distúrbios neurológicos cuja gravidade pode variar desde tipos sem importância clínica até casos extremamente severos. A região lombar é a mais afetada pela mielomeningocele.
Fisioterapia na Mielomeningocele
O tratamento "preventivo" da fisioterapia é realizado da seguinte forma (pode ser entendido também como pré-operatório):
-Exercícios de AMM (Amplitude Máxima de Movimento), ativo ou passivo, é indispensável a aplicação dos mesmos combinado a um alongamento.
-Mobilização precoce geral de todas as articulações, ajudando a prevenir deformidades.
-Posicionamento apropriado das articulações do membro inferior, elas devem ser mantidas em uma posição neutra, funcional. Sendo assim após o trabalho de mobilização dos articulações e os exercícios, posiciona-se o membro adequadamente podendo para isto, usar como recurso, as órteses.
Tratamento pós-cirúrgico:
-A espasticidade é o fator agravante do processo de reabilitação, muitas vezes, quando é muito forte passa a ser um impecilho para a adaptação de órteses e treino de marcha.
-Alongamento mantido: este irá servir para manter o comprimento muscular e de alguma forma diminuir a espasticidade.
-Exercícios passivos de AMM com alongamento no final
-O posicionamento é mantido com as órteses, estas devem ser modificadas sempre que necessário, conforme for evoluindo o quadro do paciente.
Resumindo, os objetivos do tratamento da mielomeningocele, são:
-Reabilitação de deformidades já instaladas;
-Prevenção do aparecimento de novas deformidades;
-Aumentar ADM das articulações afetadas;
-Manter ADM das articulações não-afetadas;
-Aumentar função muscular geral;
-Estimular as fases do desenvolvimento motor normal;
-No caso de hipertonia ou espasticidade presente: promover diminuição de tônus muscular;
-No caso de hipotonia ou flacidez presente: promover aumento de tônus muscular;
-Estimulação da sensibilidade;
-Promover a marcha;
-Treino de AVD.
Bom pessoal, por enquanto é isso, espero que esse pequeno resumo tenha sido de alguma utilidade, pois mielomeningocele é um assunto extenso e eu tive que dar uma boa resumida, foram apenas algumas pinceladas.
Ah, antes que eu esqueça, dedico esse post à fisioterapeuta Gisele Cintra, que me emprestou seu TCC há dois anos atrás para complementar meus estudos sobre mielomeningocele. Muito obrigado, Gi!
É isso ai pessoal, até a próxima!
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